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Aumento das exibições coletivas de conteúdos audiovisuais aponta para “cinema social” no país

17/10/2017 16:58

Consumo coletivo de conteúdos audiovisuais. Esse foi o foco do debate realizado no painel que contou com a presença do diretor da Ancine Roberto Lima, de Mauricio Andrade, da Spcine, de Josi Campos, da Videocamp, de Jorge Gonçalves, da Vitrine Filmes e de Tieres Tavares, da Quanta DGT, via Conferência Web. O gerente de Relacionamento Cultural da RNP, Alvaro Augusto Malaguti, mediou a conversa e iniciou-a com uma breve apresentação sobre o Cinemas em Rede, projeto da RNP que visa articular um circuito exibidor a partir da infraestrutura de redes avançadas operadas pela mesma.

“Esse painel está servindo para mostrar como os agentes públicos fazem para que a cinematografia nacional chegue a mais gente, buscando a criação de mais salas e como a sociedade cria suas próprias soluções”, afirmou o diretor da Ancine Roberto Lima, resumindo, de forma precisa, o que foi exposto no debate.

Josi Campos apresentou a plataforma Videocamp, ferramenta online e gratuita para acesso à cultura na forma audiovisual que potencializa a formação de público e também serve como estratégia de distribuição de filmes independentes, promovendo exibições coletivas.

“Acreditamos no poder do cinema para transformar realidades. Para transformar, no entanto, os filmes precisam ser assistidos. Queremos inverter a lógica oferecendo para uma audiência periférica a experiência e o acesso ao conteúdo audiovisual de impacto”, explicou.

O diretor-presidente da Spcine, Mauricio Andrade Ramos, contou sobre o Circuito de Salas Spcine, que criou 20 salas de exibição audiovisual na cidade de São Paulo, a maioria delas em teatros multiusos de escolas municipais. Os moradores da periferia têm acesso a filmes reproduzidos com equipamentos de última geração, gratuitamente ou a preços populares.

A questão da digitalização do parque exibidor brasileiro foi explanada por Tieres Tavares, da Quanta DGT, via Conferência Web. Ele contou como foi o processo que resultou numa enorme redução dos custos operacionais e criação de novas oportunidades, o que está permitindo a geração de receita adicional para os exibidores pela possibilidade de implantação de novos modelos de negócios.

Jorge Gonçalves mostrou como a Vitrine Filmes atua para valorizar o cinema nacional e independente por meio da “Sessão Vitrine Petrobrás”. O projeto foi renovado e seguirá em 2018 com ingressos a 12 reais, em 20 estados brasileiros e exibição de lançamentos, promovendo a formação de público e a divulgação de obras brasileiras.

O debate mostrou que os impactos promovidos pelas TIC nos arranjos de negócios referentes à distribuição de filmes para exibições coletivas endossam a criação de um novo circuito de consumo, chamado por alguns de “cinema social”.