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A ascensão do Ceará como hub internacional de cabos submarinos

10/11/2016 16:56

“Os cabos submarinos do Brasil estão em ascensão. Temos sete deles atualmente e isso vai duplicar até 2018. A maioria esmagadora deles pinga em Fortaleza, capital do Ceará”, sumarizou o diretor de Engenharia e Operações da RNP, Eduardo Grizendi, que mediou hoje a sessão que reuniu representantes da EllaLink, da Angola Cables e da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice).

João Pedro Flecha de Lima, CEO da EllaLink, empresa que está implantando o cabo Monet, que interligará Fortaleza a Lisboa (Portugal), citou alguns dos motivos de a capital cearense receber essa infraestrutura. “A cidade é a mais perto da Europa e tem muitos Pontos de Troca de Tráfego. Vimos a necessidade desse cabo porque percebemos que três quartos dos conteúdos disponibilizados nos Estados Unidos também o são na Europa. Além disso, outros argumentos são a existência de muitas multinacionais no pais com sede no continente e a necessidade de segurança na comunicação de dados”

“A rota do Brasil aos Estados Unidos tem grande concentração de investimentos. Assim como o cabo da EllaLink, o Sacs, da Angola Cables, também é uma exceção, ao ligar Fortaleza a Luanda (Angola)”, definiu o country manager da operadora de telecomunicações angolana, Jorge Salomão. “Os novos cabos aproveitam a infraestrutura disponível na cidade, que, em 2000, começou a ser desenvolvida como fruto de uma limitação tecnológica. Uma herança que hoje é um tesouro para a cidade explorar”, detacou.

Para Salomão, “Fortaleza é o local mais estratégico da América do Sul não só em termos de latência, mas também de equidistância da África, o mercado que mais cresce no mundo, a dois dígitos, e da Europa, que é consolidado”.

Mas, de acordo com o diretor de Segurança da Informação da Etice, Pablo Rocha Ximenes, “o fato de a cidade ser um hub não significa que ela tira proveito disso”. A fim de reverter a situação, a empresa está atraindo startups de conteúdo, com a contrapartida de essas investirem em Pontos de Troca de Tráfego (PTTs) no Estado.

“Também criamos o projeto Ceará da Inovação e Tecnologia, que tem como objetivo criar um polo de inovação em nuvem na região. O cerne da estratégia da Etice é ter um sistema, um polo de inovação, pautado em nuvem. Por isso, vamos substituir todos os serviços de infraestrutura para cloud computing. Até o fim do mês, vamos migrar todos os sistemas na Secretaria de Planejamento”, adiantou Ximenes.

A Etice implantou o Cinturão Digital do Ceará (CDC), que possui mais de 3 mil quilômetros de fibras ópticas e cobre 116 dos 184 municípios cearenses. Possui acordo de cooperação técnica com a RNP, que beneficia diretamente alunos, professores, pesquisadores e funcionários dos Institutos Federais (IFs), Instituições Estaduais (IEESs) e Federais de Ensino Superior (Ifes) do Ceará, além das unidades de pesquisa.